Ando observando a natureza humana, a sua conduta, o sentir e as emoções das pessoas, e me convenço cada vez mais do quanto somos contraditórios e ambivalentes. Falo do desejo de viver e morrer, que simultaneamente habita em todo nós, talvez o mais emblemático dessa ambivalência.
Nascemos e logo depois ja começamos a entender a vida e a temer a morte. Necessitamos muito de ser feliz, razão de ser maior de nossa existencia. Mas ao mesmo tempo que, contraditoriamente, buscamos essa felicidade, sentimos muito medo de perdê-la ou de não alcançá-la. Mas é justamente aí, na necessidade enorme que dela temos, também temos grande medo de tê-la e depois perdê-la. Assim esse medo, vem como sensação iminente de uma catástrofe acompanhando nossos momentos mais felizes. É como se , no fundo, julgássemos não merecedores dessa felicidade. Sempre nos momentos de felicidade, a tortura do medo de perder essa felicidade, aparece como coadjuvante negativo tirando parte da felicidade que é a causa da alegria no momento. Ou seja, não conseguimos vivenciar a felicidade sem culpa, mesmo que uma culpa inconsciente. E vivida com sentimento de culpa, a felicidade se esvai, não existe. Nosso medo de ser feliz é tão profundo, que agimos no sentido oposto, ''destruindo o que nos faz feliz''. Assim nós mesmos restringimos nossos momentos de felicidade. Goethe ja´dizia que ''nada nos é mais difícil de suportar que uma sucessão de dias belos''. Pense isso na sua vida diária.
Não podemos dizer que esse medo acomete a todos, basicamente é encontrado mais naqueles intimamente inseguros, intranquilos e com baixa auto-estima. O prejuizo potencial desse medo para nossa saúde, ou o seu papel como fator doença, seria explicado pela própria ansiedade e angustia que provoca. Não seriam os nossos sentimentos inconscientes de autopunição, por não se julgar merecedor da felicidade, o responsável por algumas doenças orgânicas? Sei que muitos de vós leitores, julgarão esse raciocínio bastante complexo, mas o mais verdadeiro dos fatos, é que complexos são , de fato, a mente e as emoções humanas.
Muitas pessoas deixam de lado a felicidade, justamente por medo de se sentirem felizes e se sentirem culpados diante de muitos, pensando não serem merecedores de tanta felicidade. Algumas pessoas, em momentos de felicidade costumam dizer: ''estou tão feliz que posso morrer agora''.
Perceberam aí o quanto somos ambivalentes, ao sentir a felicidade e desejar morrer ao mesmo tempo?
O melhor é encontrarmos harmonia e segurança naquilo que nos faz felizes e aceitar de braços abertos a felicidade tão almejada por todos. A culpa foi algo transmitido em nossa educação primeira. O encontro com o seu interior devidamente compreendido, nos liberta das angustias e dos medos que nos impedem de viver em harmonia constantemente. Medo de ser feliz, fica no passado, e no presente eliminanda a culpa, estaremos livres da angustia e a felicidade pode ser vivenciada em todo seu potencial.
Até o próximo bloco...