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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Medos e fraquezas... expressar ou reprimir?



Como seres  humanos, diferentemente dos animais costumamos expressar nossas emoções com palavras. Agora já sabendo que nós transferimos para o corpo todas as emoções reprimidas, aprendemos que as palavras por sí só não bastam para expressar o que nos vai na alma. Mas é claro que as palavras são auxiliares valiosos.
Desde cedo nos condicionam, a não dizer aos outros o que sentimos, principalmente se for um sentimento que é percebido como algo que nos inferioriza. A angústia pode ser grande, mas nos é ensinado a mostrar uma fachada de normalidade.
Nem pensar em confessar medos e fraquezas aos outros, e quem não os tem? Isso é visto pela maioria como sinal de insegurança e pode ser perigoso para nosso prestígio. É um paradoxo, porque os mais seguros e confiantes, são os que mais livremente confessam os seus temores e falhas. O medo é algo que faz parte de todos nós, mas não devemos nos envergonhar por isso, pois como eu li uma vez em algum lugar, ter coragem não é ausência de medo, mas é nos portarmos com dignidade apesar do medo.
Hoje em dia, muitos já sabem que  é bom para o corpo e para a alma confessarmos o que sentimos. A tristeza compartilhada com outros, diminui a dor liberando as tensões geradas pelas perdas e angustias. Percebemos que pessoas que se isolam em sua dor, adoecem com mais frequência e de maneira mais grave, porque  não  verbalizam o que estão sentindo.
A importância de verbalizar o que sentimos, não se restringe somente à tristeza e a dor, as coisas boas também devem ser verbalizadas, compartilhadas. Muitas pessoas gostam de mostrar alegrias em situações que lhe agradam, sejam estas de grande ou pouca importância, e, infelizmente, são alvo de zombarias por parte daqueles que lhe são próximos. E se a postura dela incomoda a tantos outros, certamente, para o seu bem estar, é um  benefício.
Reprimir as emoções e sua expressão verbal, é um atraso na sua evolução  como ser humano, pois isso leva a doenças, graves ou não. As pessoas costumam construir um muro anti-emoções em sua volta e com isso elas se perdem no mundo das angustias. Com isso criam-se  verdadeiras prisões dentro das pessoas, sempre ''reprimindo'' e não ''exprimindo'' o que sentem. Estas são pessoas incapazes, com dificuldades de se expressar emocionalmente, de reagir e de mostrar afetos, tanto para dar ou receber. São pessoas paralisadas, não  sabem descrever e expressar o que sentem. Normalmente são pessoas com dificuldade para sonhar, para fantasiar,  seu mundo é pobre para isso e somente acreditam no concreto. Enfim, são pessoas com baixa capacidade de percepção dos afetos e emoções e da sua expressão. 
O sentir é um componente psíquico da emoção, por isso é necessário que se dê vazão a ele, e se isso não acontece, ele não se desfaz por si mesmo. Se sua expressão é bloqueada, a descarga se dará, com já falamos antes, sobre os órgãos internos, pois é um mecanismo que independe da vontade da pessoa.
A incapacidade da pessoa se comunicar com palavras, os seus pensamentos, leva a mesma a falar com a linguagem dos órgãos, ou seja, adoecer um determinado órgão é  a forma inconsciente da pessoa  proclamar o seu sofrimento, porque não conseguiu fazê-lo de outra forma. É o caso das pessoas que sofrem de úlcera péptica. Elas não abrem a boca para falar do que sentem, então fecham a boca e abrem a boca do estômago, provocando aí, o que chamamos de úlcera.

Continuamos no próximo bloco...  





segunda-feira, 15 de abril de 2013

Agressividade, ódio e ressentimento...



Continuando a falar sobre sintomas e suas causas emocionais, penso que o leitor  sabe que algumas emoções reprimidas, até são possíveis e estimuladas socialmente, umas talvez por não serem nocivas, mas outras são claramente destrutivas, tanto  para o homem quanto para o meio que o cerca. E agora, o que temos a dizer sobre o medo e a raiva, por exemplo?
Também não podemos deixar de mencionar aqui a agressividade, que embora não sendo de fato uma emoção, é um impulso, ligado à raiva e seus correlatos. Mais adiante vamos falar sobre o medo, vamos deixá-lo por enquanto de lado ,  e vamos  falar um pouco agora, sobre a raiva e a agressividade, distinguindo aqui, sobre a cólera ou ira, como preferir chamar, e a raiva, também chamada de ódio. A cólera acontece num impulso  momentâneo, é passageira, a qual todos ou alguns em maior ou menor  grau,  podem estar sujeitos em situações variadas. Essa deve ser evitada ao máximo possível, porque vem com o  vento e passa deixando desastres, o famoso estouro. Quando coléricos ou irados, sentimos a necessidade de dar vazão ao que sentimos e para isso podemos esmurrar uma almofada ou um colchão, gritar em  quarto fechado ou até mesmo socar a palma das próprias mãos.
Como dizia Gaiarsa, toda emoção é na verdade uma onda de preparação do corpo para entrar em ação. ''Se eu entrar em ação, a emoção se consome no próprio ato''. Se quisermos conter a emoção, vamos ter de segurá-la, como se  segurássemos um peso  em dobro. Se seguramos o choro, vamos contrair os musculos do peito, ombros e garganta, impedindo os soluços. Assim vamos enrijecer os lábios, para que seus cantos não caiam, mostrando aí a espressão típica do choro. Vamos segurar também,  as sombrancelhas para cima e para fora  porque só assim consigo segurar o choro. 
Dizendo agora de outra maneira, se somos tomados por uma onda emocional, devemos nos deixar levar por ela, comunicando e realizando  o que ela pretende. Se quisermos contê-la ou seja, reprimí-la, temos de absorver toda energia  mobilizada para alívio e descarga da mesma em contrações musculares estáticas, que determinam e definem a atitude de repressão emocional  e ainda  mais aquelas que ocorrem, sem  nossa vontade consciente, nos vasos sanguíneos, no estomago, nos intestinos, etc. Essas emoções  reprimidas, são as causadoras dos mais diversos males e sintomas.
Vale lembrar que muitas pessoas confundem agressividade com cólera, mas as duas coisas não são como a face da mesma moeda, porque a agressividade é um impulso natural e primitivo do ser humano,  para a sua sobrevivência, já existente no tempo das cavernas e que ainda hoje em dados momentos ela ainda é necessária para a nossa sobrevivência.  Não devemos confundir agressividade com malcriação. Exemplo: Se 3 pessoas juntas, estão num barco desgovernado a cair numa cachoeira, a passiva, não se mexe e fica parada esperando a destruição; a agressiva, pula na água e sai nadando ou pega o leme e tenta resolver a situação mudando o rumo do  barco; a malcriada limita-se a ficar de pé xingando a tudo e a todos o tempo todo. Esse, o malcriado, não é agressivo, é simplesmente imaturo. A agressividade, deve ser direcionada  a nosso favor para o nosso bem viver e não ser usada como componente de  hostilidade e destruição. É preciso haver um controle da agressividade para que ela não seja destrutiva, e não reprimi-la, mas direcioná-la para aspectos construtivos.
Outra distinção importante, que salientamos no início, é entre a ira e o ódio. O ódio ou a raiva, é de certa forma a ira reprimida.  Quando sentimos a emoção e não damos vazão, ficamos a todo momento sentindo-a novamente. Estaremos, pois, com ''ressentimento''.  Quem traz esse mal dentro de si, está produzindo veneno, porque o ressentimento e o ódio, são emoções tremendamente destrutivas e muito mais destrutivas para quem delas se alimenta. É aí que se inicia o câncer... fruto da mágoa e do ressentimento, da incapacidade de perdoar para se sentir bem. Pessoas cheias de ódio e ressentimento, são pessoas com ódio de si mesmas.

continuamos....